“Amar é conhecer a cor do olhar, e saber o olhar de cor. Ama-se também com o olhar, e não somente com os sentimentos — embora se pudesse dizer que também o olhar é um sentimento.”- Juliana Gebrim
"É muito comum a discussão sobre qual o ato mais erótico: beijar ou transar? Os tradicionais votam pelo sexo. Outros muitos defendem o beijo. Eu já acho que erótico mesmo é sorrir junto olhando-se nos olhos. Já notou que a maioria das pessoas desvia o olhar ao sorrir? Sorrir olhando nos olhos é ter prazer de dentro do outro. Daí pro sexo é um pulo…
Sorrir olhando nos olhos é a imagem perfeita de uma boa relação sexual. É muito comum que a mulher se concentre demais em seu próprio prazer e se feche em seu interior (ela sorri desviando o olhar), ou que o homem concentre-se demasiadamente em dar prazer e esqueça de sua própria energia (ele olha mas não sorri). Os parceiros podem também não revelar seu prazer ao outro e evitar se olhar durante o orgasmo, como se os olhos do outro reprimissem ou restringissem o prazer. Eis um sintoma do olhar negativo, que não expande o amor. Um bom olhar tem de aumentar a loucura, criar e não fechar espaços. Se isso for treinado cotidianamente, os olhos dos dois vão se procurar espontaneamente durante o orgasmo.
Um bom olhar é pura potência, capacidade de explosão em gestos, vidas, atos e mundos. Como um holograma, ele projeta tanto os palcos de manifestação quanto os personagens e enredos possíveis. Um bom olhar contém tudo aquilo que acontecerá naquela noite. O que só comprova uma hipótese minha: sexo bom é aquele que não é necessário. Sexo é bom quando não precisa acontecer para acontecer, aquele que já rola sem rolar nada, que já estava acontecendo pelo olhar. Tente fazer amor em cada gesto, sem precisar do sexo em momento algum e, quando ele de fato acontecer, me conte como foi.
A epígrafe do já clássico Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, nos instrui: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Ele parou por aí devido ao contexto da obra, mas acho que poderíamos continuar, não?
Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.
Se podes reparar, contempla.
Se contemplas, enlaça.
Se enlaças, penetra.
Se podes penetrar, ama."- Gustavo Gitti
Esse texto explicou o porque eu gosto tanto de olhar nos olhos... quando converso, quando me exponho, quando discuto, quando brigo, quando escuto, quando amo, sempre. O porquê disto me ser tão importante e essencial. Transcende o ser observado e desperta um sorriso sutil nos meus lábios!
E o texto ainda foi além... me fez entender a intensa magia provocada por um olhar no objeto contemplado! Um olhar intenso nos olha por dentro e nos descobre toda! Nos arrepia! Provoca cócegas! Faz sorrir! E ficar em êxtase muito tempo, só de lembrar!
Ah... e lembrei de uma coisa. Quando não olho nos olhos é porque algo vai mal... conosco! Repare! (19/11/2008)
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